segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Amanhecer




O dia já amanheceu, eu permaneço por entre os lençóis tentando não despertar para esta infeliz e cruel realidade, tentando talvez pensar que ainda estou no meu porto de abrigo, em segurança, tentando provavelmente fingir que não estou neste lugar ausente de todo.



Triste se torna o momento em que acordo e percebo que aquele breve momento de tranquilidade e paz não passou de um breve instante, um instante escasso que me escapa entre os dedos e o qual não consigo mais alcançar.



Reflicto... chego a conclusão que o que mais queria era dormir, pelo menos enquanto estiver por aqui, neste lugar tão frio e escuro de ausência de mim, assim não existiria sofrimento nem angústia, ou até mesmo solidão, caso exista não a sinto, pois encontro-me completamente adormecida e perdida num lugar incerto e distante.



Recuso-me a ter que abrir os olhos e deparar-me com este lugar ao qual não pertenço, sinto-me perdida, recuso-me a acordar e ter de sentir de novo está amargura que invade o meu peito sempre que desperto, e me torno novamente num ser gélido, que se fecha em si próprio e afasta todos os que se aproximam, o meu interior tenta lutar contra este ser miserável no qual me torno, que se vai apoderando do meu ser graças a minha fragilidade, mas este ser é mais forte que eu, e acaba por vencer esta batalha.



Com o tempo aprendi a não ter medo do escuro, pois nem sempre a luz está por perto. O mesmo aprendi quanto a saudade, a amargura e a solidão, a diferença é que agora todos eles se juntaram e tornaram a minha vida numa escuridão maior que a das próprias trevas.



Preciso de voltar para o meu porto de abrigo, necessito de voltar, ou este ser e a própria escuridão irão apoderar-se de mim de forma irreversível, preciso de me sentir, de sentir o meu próprio eu novamente.
(Por favor respeite os direitos de autor)

1 comentário:

  1. " Era curioso que niguem jamais se tivesse referido ao vitríolo como um toxico mortal, embora a maioria das pessoas afectadas identificasse o seu sabor, e se referisse ao processo de envenamento por AMARGURA. Todos os seres tem amargura no seu organismo assim com quase todos temos o bacilo da tuberculose
    (...) no caso da Amargura, o terreno para o surgimento da "doença" aparece quando se cria o medo à chamada realidade. Certas pessoas, querem construir um mundo onde nehuma ameaça externa possa penetrar, aumentando exageradamente as suas defesas contra o exterior (...)e deixam o interor desguarnecido. É a patir daí que Amargura começa a causar danos irreversíveis" in Veronika Decide Morrer de Paulo Coelho

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